Assistia o noticiário da manhã e uma repórter falava sobre o mercado de trabalho para os jovens. Mostrou pessoas atrás de estágio, outras penando pelo primeiro emprego e alguns felizardos que conseguiram um trabalho mesmo sem experiência. Por último, entrevistou um rapaz vendedor de pipoca. Ele disse que havia recorrido àquela situação pois ninguém antes lhe dara oportunidade. Na hora me veio na cabeça:
“- Foi falta de oportunidade ou de qualificação dele para o mercado?”
Antes que você diga que sou socialmente injusto e insensível, vou explicando.
É certo que na situação atual em que se encontra o moço da pipoca, uma empresa dificilmente o daria um oportunidade. Sem uma imagem pessoal adequada nem um currículo decente, fica complicado para ele entrar no mercado formal. É culpa do governo? É. É culpa do capitalismo selvagem? Também. Mas deve ser ressaltado que boa parte da culpa do rapaz estar onde está é dele mesmo!
Tá bom, vou explicar essa parte também.
Que o governo tem que dar educação, disso ninguém discorda. Que as empresas precisam ser menos preconceituosas, idem. Mas outra coisa que ninguém pode falar o contrário é que é nossa obrigação procurarmos a educação e preparação exigidas, a fim de que tenhamos mínimas chances de ingressar no mundo corporativo. Mesmo com um governo que tradicionalmente não dá importância ao ensino que todo cidadão tem direito, devemos fazer o possível para aprender o quanto conseguirmos. Por mais que as empresas estejam rigorosas em seu processo seletivo, temos que insistir e buscar nos adequar para conquistarmos o emprego de carteira assinada tão sonhado. O mundo é cruel sim, mas se não nos defendermos de sua crueldade, quem irá nos defender?
Para nos armarmos contra as exigências que só aumentam, podemos:
- Fazer o básico do básico, ou seja, concluir o ensino médio pelo menos;
- Tentar, na medida do possível, fazer um curso superior ou técnico na área de afinidade;
- Atualizar-nos sempre por meio de jornais, revistas ou o noticiário, nem que seja emprestado, ao invés de perder tempo com o Big Brother e o Gugu;
- Procurar manter um network que sirva para alguma coisa, e não ficar apenas colecionando números de paqueras e colegas de futebol e cerveja;
- Manter uma imagem pessoal aceitável para os selecionadores das organizações, sem cabelo moicano com duas cores ou piercing no nariz, parecendo um touro reprodutor de fazenda.
Seguindo esses requisitos básicos, é muito mais provável que uma pessoa consiga um trabalho digno e que possa ajudar em sua subsistência, o que nunca acontecerá se o indivíduo apenas se basear em “comércio de fast-food à base de derivados do milho”.
Mas, mesmo depois de minhas colocações, você ainda poderia dizer:
“- Mas, coitado, o rapaz veio de uma comunidade pobre e abandonada pela Estado. Só podia ser vendedor de pipoca!”
E eu diria que você estaria completamente errado(a). Um exemplo da minha opinião? Eu mesmo. Vim de um bairro pobre e violento, quase sem estrutura, mas, com a ajuda da família e também meu empenho próprio, estou numa situação muito melhor que outros que cresceram junto comigo e hoje arrastam mulher e vários filhos e um emprego de salário mínimo para sustentar a todos. O mercado está difícil para todo mundo, mas está muito pior para os que, no lugar de procurar superar o péssimo ambiente, se entregam à marginalidade, drogas, criminalidade e diversão barata sem fim às custas dos pais. Depois é que sentem as consequências.
Já disse Gonçalves Dias:
“- A vida é combate,
Que os fracos abate,
Que os fortes, os bravos
Só pode exaltar.”
Se você vende pipoca na esquina ou algo similar, ou se enquadrou no perfil do pipoqueiro, pense nisso (será que tem algum vendedor de pipoca lendo este texto?)!


1 resposta Até agora ↓
ALÍRIO, O VENDEDOR DE PIPOCAS « ADMINISTRANDO // 12, Maio/2008 às 8:06 am
[...] Mais uma avaliação de comentário postado neste humilde blog. Ele se refere, acredito eu, a este post aqui. Primeiro, as declarações do “amigão” [...]
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