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VELLKER: O DEPÓSITO DE PICARETAS

29, Abril/2008 · Nenhum Comentário

De forma não muito surpreendente, se torna oficial a aliança entre o PT e o PSDB. O partido dos trabalhadores, que realmente trabalham, enquanto seus supostos defensores políticos vivem de propinas, a exemplo dos partidos que diziam combater, informa as jornais que não tem problema fazer uma aliança com o partido que sempre desprezou e ao qual sempre lançou os piores adjetivos. Também, os militantes do PT, que até 2002 apareciam em todas as esquinas do Brasil, desfraldando bandeiras vermelhas e pedindo “CPI já” aos berros contra qualquer coisa do PSDB, hoje enrolam as bandeiras, abraçam e beijam seus antigos inimigos. Primeira lição do ativismo político de oportunismo: abraçar fraternalmente o corrupto de ontem, agora aliado impoluto, para garantir o marmitex de hoje e quem para garantir o marmitex de hoje e quem sabe o restaurante inteiro numa nomeação política amanhã. Enrolam-se as bandeiras vermelhas e junto as consciências e moral se é que algum dia existiram.

De forma clara, fica patente que só mesmo um choque político de conseqüências devastadoras para esse clube de amigos que sempre foi a política brasileira dará jeito nessa situação que vivemos. O Brasil de hoje passa ao longo de grandes realizações humanas e sociais, movendo-se mais pelo seu tamanho do que pela capacidade vital de seu povo, tamanho que lhe garante posição privilegiada no que diz respeito a instalações e minérios, o que significa indústrias funcionando.

De fato, tais choques ocorrem mesmo no Brasil, num período de 20 a 30 anos. Estamos no limite para que as contradições sociais nos levem a mais um. É só ler a história do Brasil e fazer uma cronologia dos movimentos. Não só um coronelismo político ainda subsiste sob novas roupas, ternos de grife italiana ao invés dos antigos paletós de linho branco inglês como ainda por cima ou por baixo, deve-se dizer, os militantes de qualquer partido, nas esquinas defensores ardorosos da ética, dentro de seus partidos, passam a enxergar a ética pela ótica do vale tudo.

Uma das coisas mais constrangedoras nesse cenário é a posição do presidente Lula, ex-defensor da ética, hoje bem à vontade na posição de estender a mão para receber os beijos de seus antigos desafetos políticos, que por ora rastejam fora do poder. O triste disso é que por vias normais o ser humano caído, até pelas suas características físicas tende a se levantar sobre os próprios pés. Já o ser político brasileiro tem uma característica espantosa: caído, tende a se levantar pela própria língua.

E vemos de forma lamentável o fato de que o presidente Lula, quando foi deputado referiu-se aos políticos de Brasília como picaretas. Hoje ele é praticamente um depósito de picaretas.

Vellker é o colaborador que trata sobre política no Administrando.

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