Liguei certa vez para o atendimento telefônico de uma grande fornecedora de cursos profissionalizantes para saber sobre um de seus cursos. Na verdade, eu liguei para confirmar a data de início de um curso, pois já tinha visto anteriormente detalhes do mesmo pela internet. Por isso, eu já sabia que existiriam dois cursos, um em maio e outro em julho, e só queria saber das datas.
Uma moça me atende primeiro:
“- Senac (ih, falei o nome. Foi sem querer, eu juro!), bom dia.”
“- Bom dia. Gostaria de saber sobre um curso na área de consultoria.”
“- Certo. Vou te passar para o setor responsável.”
A atendente passou a ligação e outra mulher a recebeu.
“- Senac, bom dia.”
“- Bom dia. Eu quero saber sobre o curso na área de consultoria que vai começar em…”
“- Ok, senhor. Vou transferir a ligação.”
E fui repassado, dessa vez para um homem.
“- Senac, bom dia.”
“- É você que é o responsável por um curso de consultoria?”
“- Vou passar o senhor para a pessoa responsável.”
Eu já estava pronto para dar um resposta agressiva para a próxima pessoa que me atendesse e dissesse que ia repassar a ligação quando cai, finalmente, na pessoa que poderia me informar algo útil.
“- Bom dia.”
“- Bom dia. Eu quero saber sobre um curso de consultoria que começará em maio.”
“- É o curso xyzetecéteraetal?”
“- Não sei, acho que é esse.”
“- Vai começar em junho.”
“- É mesmo?, pensei que era em maio.”
“- Não senhor. É de junho a julho.”
Eu acreditei que tinha me confundido, mas aproveitei para colher algumas informações sobre esse curso também. Contudo, desconfiado da “eficiência” do atendimento dessa empresa por causa do passa-repassa de ligações, resolvi insistir.
“- Mas não tem nenhum outro curso na área de consultoria?”
Uma pausa de dez segundos para responder.
“- Tem o abcdefghi.”
“- E quando começa?”
“- Em maio.”
Nessa hora eu me contive para não mandar aquela inergúmina pro inferno.
Não é admissível que o cliente saiba mais sobre o produto que o próprio vendedor. Se eu não tivesse visto anteriormente que haviam dois cursos que me interessam, a miserável iria me dar informações apenas de um, perdendo a oportunidade de me vender um segundo curso. Essa desatenção (ou falta de competência mesmo) pode levar a perda de grandes negócios. Imagina se eu estivesse querendo um curso de consultoria para maio, só que para quarenta pessoas, quanto dinheiro não seria ganho?
O atendimento telefônico é um recurso que pode servir em muito nas vendas. Agiliza muita coisa, mas ainda que o e-mail ou as mensagens instantâneas. Um bom atendimento telefônico, ao meu ver, deve buscar:
- Explicar tudo sobre o produto, tirando toda e qualquer dúvida do cliente;
- Adaptar o produto a situação, se possível (por exemplo, me vender uma palestra sobre consultoria no lugar do curso, se fosse melhor para mim);
- Vender algum produto agregado, como outro curso na mesma área;
- Vender a mais cliente de uma só vez (fechar um pacote do dez pessoas e dando um desconto).
Os gestores precisam tomar consciência de que é uma oportunidade de ouro quando um cliente liga para ele querendo adquirir seus produtos. O mínimo que se deve fazer é conhecer o produto. Assim, se encanta o cliente e se consegue fechar mais e mais negócios.

