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VELLKER: OS VELHOS “AMIGOS”

4, Março/2008 · Nenhum Comentário

Saiu essa semana uma nova briga entre os poderes no Brasil. De um lado, o presidente Lula e do outro, o juiz Marco Aurélio Mello. Como o juiz achou por bem declarar a um jornalista o que achava errado ou não em coisas que o governo fazia, no caso a ampliação de programas assistenciais em ano de eleições municipais, Lula decidiu dar o troco dizendo que o judiciário devia meter o nariz em seus próprios negócios. Vendo a briga dos dois poderes constituídos de autoridade mas destituídos de moral, como é corriqueiro no Brasil, os leitores dos meios de comunicação puderam se divertir com os lances da troca de farpas. De fato, como dizem os operadores do direito (no Brasil, em virtude do seu estado lamentável, Direito ainda se escreve com letra minúscula), o juiz comete erro imperdoável ao divulgar publicamente, mas de forma velada, seu juízo antecipado para coisas que ainda podem entrar num julgamento, como foi o caso da questão à qual ele se referiu.

No caso, essa questão já foi posta em pauta pelos partidos de oposição a Lula, que, prometendo pedir um parecer do judiciário (sim, no Brasil, Judiciário também se escreve com letra minúscula), viram nas declarações do juiz uma espécie de pré-julgamento favorável aos pedintes judiciários, no caso, os partidos de oposição, que, longe de qualquer pretensão de justiça, pretendem mesmo é atrapalhar no que possam. Se fossem do partido de Lula fariam a mesma coisa, como os petistas fizeram no passado.

O que se constata de tudo isso, dessa cena de horror que se tornou a imoral dança dos três poderes no Brasil, é a situação de abandono do cidadão, da nação em geral, amarrados a um poste de imoralidades enquanto em volta deles dançam os três poderes, à semelhança de índios canibais dançando em volta de suas vítimas. Vemos os casos de títulos precatórios que não são pagos enquanto credores do governo morrem na fila de espera dos tribunais, vemos pessoas agonizando na porta dos hospitais públicos, vemos cenas de guerra nas ruas e no palco principal o presidente Lula e o juiz Marco Aurélio trocam essas farpas, alheios a tudo isso.

Um pequeno reparo: alguns devem estranhar que eu não chame o juiz Marco Aurélio de ministro. Afinal, só no Brasil os magistrados dessas cortes se autodenominam ministros. Juristas de outros países que visitam o Brasil perguntam mais de uma vez, abismados, porquê, afinal de contas, eles se declaram ministros se são juízes? Com o cenário atual, será absolutamente normal se presidentes de outros países, ao visitarem o Brasil e virem a lamentável situação do governo, saiam daqui se perguntando depois:

“- Mas afinal de contas, com essa confusão toda, como é que ele se declara presidente?”.

Vellker é o colaborador que trata sobre política no Administrando.

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