José era um cara trabalhador. Não era dedicado, mas trabalha quando mandavam. Se não ficassem de olho nele, se danava a jogar no computador. Mas quando davam pressão, ele fazia.
Uma coisa que o rapaz adorava era comer. Na copa do escritório ele era o rei! Detonava os biscoitos e o cafezinho como ninguém. Todos lá o conheciam como “o comilão”, o cara com estômago de avestruz. E ele se gabava do título, fazendo sempre um esforço para comer mais um pouco, de certa forma querendo impressionar os colegas por meio do seu imenso apetite. Teve uma vez que o cara comeu um sanduíche gigante quase todo, só para render mais um caso para se contar.
Assim ele virou referência no setor. Suas estórias de quanto e do que tinha comido num dos almoços da promovidos pelo gerente serviam para provocar risada nos outros, e sua barriga tinha virado um ponto de referência:
“- Onde fica o banheiro? Alí, ó, a segunda porta depois daquele gordinho!”.
E ele adorava isso, pois se sentia reconhecido pelos outros. Era como se fosse um prêmio.
Mariana era uma menina calada. Entrou na empresa como uma estagiária. Por conta de sua dedicação pelo serviço, foi efetivada e fazia parte do setor do José, fazendo praticamente as mesmas tarefas que ele, em nível parecido de eficiência.
Gostava de estudar e cursava administração. Tinha a intenção de ser uma gerente, uma executiva de alguma grande empresa ou até mesmo presidente da organização onde trabalhava naquele momento. Queria algo grande, sonhava alto e tentava chegar lá no alto do sonho. Dia após dia, construía a escada para poder chegar até seu sucesso.
Pelo seu jeitinho tímido e por mostrar constante interesse em participar dos processos, procurando encontrar formas de melhorar o modo como as coisas eram feitas, era conhecida como a “intelectual” da sala.
Um belo dia, o diretor convocou a moça para uma reunião, somente ele e ela. Todos se espantaram. Não era época de demissões, já que a empresa estava indo muito bem, obrigado. Mas as pessoas sempre estavam esperando pelo pior, então foram logo imaginando que a coitada seria demitida. Pobrezinha, logo ela que não fazia mal a ninguém, e ainda trabalhava pra caramba!
Mariana saiu da sala do diretor devagarinho. Porém, para a surpresa de todos, exibia um semblante bastante animado. Estranharam e foram logo perguntar:
“- Mari, o que foi? Alguma novidade?”
“- Sim, vou ser transferida!”
“- É? Como assim?”
“- Vou passar de assistente administrativo para subgerente de vendas! Não é ótimo?”
Foi um espanto, e ao mesmo tempo alegria. Todos comemoraram, menos o José. E ele reclamou ao seu superior direto:
“- Eu, que sou um funcionário exemplar, e ainda por cima tenho mais de dez anos de empresa, me dedicando todos os dias aqui, em todo esse tempo não recebi uma proposta dessas. Mas a menina que chegou não faz nem dois anos já foi assumir uma gerência. Como se explica isso, meu chefe?”
“- Simples, o gerente chegou para cada coordenador de setor e pediu que definissem cada subordinado seu com uma só palavra. Assim, na minha vez eu disse que a Carminha era a “evangélica”, que o Gomes era o “paizão da turma”, que o Cláudio era o “mau-humorado”, que você era o “comilão” e que Mariana era a “intelectual”. Então ele levou esses nomes ao diretor e este decidiu chamar a Mari para uma conversa. Se interessou pelo perfil dela e quis dar uma chance à garota, e agora ela vai para um treinamento para poder ser a mais nova subgerente”.
O mundo do José caiu e o da Mariana ergueu-se. E sem fazerem nada de diferente a não ser serem eles mesmos dentro do ambiente organizacional.
Baseado nessa estória, diga: qual a referência que os outros têm de você? E o que você faz para passar uma boa imagem para os outros, especialmente seus superiores? Recomendo que, se você se encaixar no perfil do José, que tente ser um pouco Mariana. Dedicação no trabalho e uma mente aberta para novos desafios é sempre bem vista pelos gestores. E pode render belos frutos!
Baseado em fatos reais.

